Da brincadeira ao lápis
Escrever só se aprende escrevendo. Mas depois de brincar é mais gostoso!
As crianças podem se aventurar na escrita bem antes de dominar o sistema alfabético. Com a ajuda do professor e partindo de textos já conhecidos, como cantigas ou parlendas utilizadas em brincadeiras conhecidas, elas podem ser desafiadas a representar palavras no papel, da forma que forem capazes com seu repertório. E isso coloca em jogo várias questões importantes para a alfabetização.
Esse é um dos assuntos de uma ótima reportagem publicada na edição de agosto de 2007 da revista “Nova Escola”. A partir da experiência da professora-alfabetizadora Mariluci Kamisaka com uma comunidade carente em São Paulo, a matéria apresenta de forma resumida algumas das mais reconhecidas teorias de especialistas como Emília Ferreiro e Ana Teberosky sobre as etapas da apropriação da linguagem escrita. Para Mariluci, o sucesso de seu trabalho deve muito aos cursos que fez sobre as pesquisas dessas autoras.
Uma das atividades que Mariluci propõe cotidianamente a seus alunos da 1ª série é justamente “Escrever para aprender a escrever”: “a escrita de textos memorizados – como cantigas, parlendas, trava-línguas e quadrinhas – ou de listas (de nomes, frutas, brinquedos etc.) que podem ser escritos com lápis e papel ou com letras móveis”.
Como já sabe o texto de memória, a criança pode se concentrar apenas no sistema de escrita, e “pode se voltar apenas ao ‘como escrever’, pensando em quantas e quais letras usar. Ela se esforça para encontrar formas de representar graficamente o que necessita redigir, avançando no processo de alfabetização”, diz a reportagem.
O livro Alfabetização - Ponto de Partida também propõe, de forma gradativa, desafios de escrita como esses. Clique na imagem abaixo para ver uma atividade sobre a parlenda Corre Cutia, usada na brincadeira do Lenço Atrás.

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